O Peso das Coisas

March 26, 2010

 
Um homem enforcado. Seu corpo balançando em movimentos pendulares. Em outra parte da cidade e do tempo, um milionário bóia em sua piscina, ainda amparado por suas ilusões.
 
Ponha agora na balança uma barra de ouro de um lado e de outro as sete vidas de um gato. 
 
Eu tenho a liberdade de dar significado às coisas, mas seus nomes já estão escritos em etiquetas. Eu posso dar valor à elas, mas a validade já está escrita em suas moléculas.
 
Ponha na balança o choro de um recém nascido, matéria-prima de tudo que é dito posteriormente, e as últimas palavras de um corrompido moribundo. Não nos pertencem as palavras de mágoa, carinho, tristeza, humilhação e felicidade. Tudo o que nos pertence é o que foi silenciado para o mundo. Porque no momento em que o silêncio se materializa, seja ele concretizado em som ou imagem,  já não nos pertence mais. E você, como um pai zeloso, tem que torcer para que suas palavras não morram atropeladas em via expressa.
 
Será a humanidade um feto ainda na placenta? Um ovo que se vai fervendo na panela? Ou teremos um papel a desempenhar no ainda misterioso drama das esferas? Será o próprio silêncio a nos julgar no final? Haverá final?

Qual o peso de um estômago vazio? E de um coração partido? Ou de um membro amputado?

Vida

December 22, 2009

O Lobo

December 21, 2009

Seu ritual de despedida foi apenas um olhar de ternura. Longe de sua alcatéia, o lobo já não é mais lobo.
É apenas um espectro. Um fantasma vagando nos olhos negros da floresta.
 
Ele sente uma silenciosa força, um entendimento imediato, um impulso de retornar a ser o que era antes de ser lobo.
Ainda vivo, ele observa os vermes festejando em sua carne. Um predador se torna a presa de feras tão pequenas.
 
Agitam em seu cérebro neurônios preguiçosos e ele se lembra das caças em bando. Suas derrotas e vitórias agora dançam distantes, igualmente embriagadas e um amor indisível acorda em seu peito. Fui lobo – ele pensa.
 
Uiva uma última vez, assinando no assombro de pequenos roedores sua despedida. Cansado, o lobo deita e pouco a pouco, seu corpo toma a baixa temperatura da relva. Sua floresta é um denso esquecimento. Agora a lua orbita em seus olhos. As águas de um rio próximo ecoam distantes, e o lobo mergulha em sua própria escuridão.

Curb your Enthusiasm

December 8, 2009

Ótimo seriado que infelizmente só passa na HBO, estrelando Larry David,  roteirista  principal e produtor executivo de Seinfeld. Gênio.

Beck – Lonesome Tears

December 6, 2009

Lonesome tears
I can’t cry them anymore
I can’t think of what they’re for
Oh they ruin me every time
But I’ll try
To leave behind some days
These tears just can’t erase
I don’t need them anymore

How could this love
Ever turning
Never turn its eye on me
How could this love
Ever changing
Never change the way I feel

Lazy sun
Your eyes catch the light
With promises that might
Come true for awhile
Oh I’ll ride
Farther than I should
Harder than I could
Just to meet you there

How could this love
Ever turning
Never turn its eye on me
How could this love
Ever changing
Never change the way I feel

http://www.youtube.com/watch?v=h3lO9kXCfGk

It´s a mother fucking post

December 5, 2009

Como é bom poder atear fogo nas memórias
E ver as chamas dançarem, em sua misteriosa decisão.
Como ilumina essa fogueira, espantando a furiosa escuridão
Como um cão leproso

Oh! Minha Alma é um Candelabro! Oh!

December 4, 2009

Misterioso caminho
A vida é uma floresta escura e cheia de lobos.
E cabe a você mostrar as presas quando encurralado.
 
O amor das bestas é prático como o luar.
Não tente entender, meu amigo.
Somos feras presas à esta esfera.
Não somos mais que isso.
 
Não dê atenção às superstições
O caos espreita em seu sono.
Vida e morte pulsam como a bunda de um vagalume.
 
Sei lá, meu amigo.
Eu sei apenas das coisas que aprendi.
Confesso minha imensurável ignorancia
E só posso esperar que você faça o mesmo.
 
Mas não mande âs favas seus sentimentos.
Não finja que não sentiu. Esconder seu amor
É como jogar uma granada no próprio leito.
Eu sei que é difícil, meu amigo.
É difícil pra ca-ra-lho.
 
Mas abra os olhos pra sua liberdade.
Esqueça agora mesmo de todas as explicações.
Tente decifrar os traços da vida com teu próprio tato.
Foda-se, meu camarada. Você pode até voar,
Mas não vai fazer mais do que tua vida lhe pede.

Segundo Post

December 2, 2009

Só pra obedecer a ordem.

Amanhã, sem falta, o terceiro post.

Não percam.

Primeiro Post

December 2, 2009

Eu odeio a Glória. Pronto. Falei.

Não faço questão de escrever nada no momento. Mas faço questão de deixar uma poesia de Augusto dos Anjos. Não é a melhor delas, mas é curta, e quem quiser ler coisa mais longa, vá lá no site.

 O MORCEGO

Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.

“Vou mandar levantar outra parede…”
- Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!

Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh’alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!

A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, á noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!


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