Primeiro Post

Eu odeio a Glória. Pronto. Falei.

Não faço questão de escrever nada no momento. Mas faço questão de deixar uma poesia de Augusto dos Anjos. Não é a melhor delas, mas é curta, e quem quiser ler coisa mais longa, vá lá no site.

 O MORCEGO

Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.

“Vou mandar levantar outra parede…”
- Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!

Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh’alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!

A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, á noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!

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One Response to “Primeiro Post”

  1. Kath Says:

    Bom poema, gostei mais do que aquele de “escarra na boca que te beija blablablá”. No início me remeteu ao Corvo do Poe.

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