Seu ritual de despedida foi apenas um olhar de ternura. Longe de sua alcatéia, o lobo já não é mais lobo.
É apenas um espectro. Um fantasma vagando nos olhos negros da floresta.
Ele sente uma silenciosa força, um entendimento imediato, um impulso de retornar a ser o que era antes de ser lobo.
Ainda vivo, ele observa os vermes festejando em sua carne. Um predador se torna a presa de feras tão pequenas.
Agitam em seu cérebro neurônios preguiçosos e ele se lembra das caças em bando. Suas derrotas e vitórias agora dançam distantes, igualmente embriagadas e um amor indisível acorda em seu peito. Fui lobo – ele pensa.
Uiva uma última vez, assinando no assombro de pequenos roedores sua despedida. Cansado, o lobo deita e pouco a pouco, seu corpo toma a baixa temperatura da relva. Sua floresta é um denso esquecimento. Agora a lua orbita em seus olhos. As águas de um rio próximo ecoam distantes, e o lobo mergulha em sua própria escuridão.
O Lobo
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