Um homem enforcado. Seu corpo balançando em movimentos pendulares. Em outra parte da cidade e do tempo, um milionário bóia em sua piscina, ainda amparado por suas ilusões.
Ponha agora na balança uma barra de ouro de um lado e de outro as sete vidas de um gato.
Eu tenho a liberdade de dar significado às coisas, mas seus nomes já estão escritos em etiquetas. Eu posso dar valor à elas, mas a validade já está escrita em suas moléculas.
Ponha na balança o choro de um recém nascido, matéria-prima de tudo que é dito posteriormente, e as últimas palavras de um corrompido moribundo. Não nos pertencem as palavras de mágoa, carinho, tristeza, humilhação e felicidade. Tudo o que nos pertence é o que foi silenciado para o mundo. Porque no momento em que o silêncio se materializa, seja ele concretizado em som ou imagem, já não nos pertence mais. E você, como um pai zeloso, tem que torcer para que suas palavras não morram atropeladas em via expressa.
Será a humanidade um feto ainda na placenta? Um ovo que se vai fervendo na panela? Ou teremos um papel a desempenhar no ainda misterioso drama das esferas? Será o próprio silêncio a nos julgar no final? Haverá final?
Qual o peso de um estômago vazio? E de um coração partido? Ou de um membro amputado?